Todas as noites, quando eu vou dormir, eu me pergunto se isso tudo valerá a pena. Se cada buraco será tampado, se cada vazio será preenchido, se cada ferida se cicatrizará. Pra ser sincera, eu não sei direito o que eu estou fazendo. A única coisa que sei agora, é que estou seguindo o meu coração. Júlia Naves, 16.
tentando ler a minha alma
"As pessoas julgam o suicídio como uma aberração quando na verdade ele pode ser a fuga dela." - Júlia Naves.
"Você não sabe, mas acabou salvando minha vida hoje. Talvez tenha sido intencional, e eu que acabei não percebendo de tão desesperada, mas suas palavras atravessaram como uma flecha direto no meu peito." - Júlia Naves.
"Morrerei sozinho do mesmo modo que vivo." - Charles Bukowski   (via tedio-fome-e-preguica)
Falta, solidão e desabafo.

Sinto falta de coisas simples. Abraços, beijos, sorrisos, olhares. Tenho uma necessidade absurda de ter essas coisas na minha vida. Falta um colo, e um ouvido que possa realmente me escutar, e que o olhar se mantivesse no meu enquanto falo euforicamente sobre o quão estou sobrecarregada. Não precisa ser uma pessoa idêntica à mim; aceito diferenças. Na verdade, é exatamente isso que quero. Alguém que aceite as diferenças, e que não vai rir dos meus sonhos e desejos loucos, nem reprimir minhas atitudes descompensadas.

Hoje me desesperei enquanto pensava na falta que sinto de tais coisas. Faltou forças nas pernas, e me deixei escorrer pela parede, até desabar no chão. Percebi que estou sozinha, mais do que nunca. Me afastei, e afastei todos que tentaram se aproximar. Criei uma barreira impenetrável ao meu redor, e me isolei. Sem saber se a culpa era realmente minha, me condenei. Me culpei pela solidão que sinto agora. Mas tive meus motivos para tal atitude, e destes não fui a criadora. Só queria me proteger desses seres que andam por aí cheios de moral e julgamentos, mesmo que eu tenha afastado até aqueles que são como eu.

Ao fim do meu choro pesado, tomei uma conclusão que talvez mude muita coisa. Percebi que não são momentos, ou atitudes que faltam na minha vida. São pessoas. Pessoas que assim como eu, querem alguém de verdade. Pessoas que não virão com vento, e nem cairão do céu. E que se quero elas em minha vida, primeiramente tenho que dar oportunidade para entrarem. E depois, dar à elas uma razão para ficarem.

Júlia Naves.

"Por mais que eu precise das pessoas, eu não consigo me aproximar delas. Não sei que tipo de bloqueio desenvolvi, mas sei que as pessoas me assustam, me dão medo, me apavoram. E mesmo que eu seja fascinada com o que relacionamentos possam proporcionar, não consigo dar uma chance à elas. E nem à mim. Nunca." - Júlia Naves.
"E se eu desmoronar? Se não pudesse mais aguentar.. O que você faria?" - 30 Seconds to Mars.
Lembranças.

Na falta de algo para ocupar minha mente, fui revirar minhas gavetas abarrotadas de papéis amassados e dobrados. Em meio a textos perdidos e desenhos borrados, encontrei uma foto nossa. Levando em conta que minha meu estado atual sempre oscila entre desesperada ou sozinha, aquilo foi como uma facada para mim. Eu, que ao mesmo tempo estou incomparavelmente sensível e inexpressiva, comecei a me lembrar de como costumávamos ser.

Foi nessa volta ao passado -não tão distante- que me lembrei do quanto eu sentia falta daquilo. Você costumava bolar planos para me surpreender, e sempre estava com alguma ideia para me conquistar ainda mais, e me manter apaixonada por você. Deu certo. Eu fui completamente, e loucamente, apaixonada por você. Pra ser honesta, eu ainda sou. E mesmo que eu não diga, ou negue, você sabe disso. A diferença é que de tanto omitir, eu me esqueci. Pois foi essa foto o que trouxe a tona tudo que eu fazia questão de bloquear. Eu não queria sentir falta, eu não queria me desesperar enquanto decido entre te ligar, ou não. Mas essa foto, que na verdade fazia parte de uma de suas surpresas, me fez acordar e perceber que antes eu era muito mais eu. E que isso só acontecia por você estar do meu lado. Porque você aceitou, não o pior ou o melhor, mas o meu verdadeiro lado. Eu me sentia segura para ser qualquer coisa ao seu lado.

Foi ao me dar conta disso que percebi que ultimamente eu não vejo mais aquela garota que costumava amar você. Porque ela se escondeu junto com os meus sentimentos. Porque ela está omissa, enquanto eu tento me adaptar a podridão das pessoas ao meu redor, para sobreviver. Só que não quero. Não quero mais me omitir e empurrar minha vida para uma existência sem propósito. E principalmente, percebi que minha vida sem você tornou-se chata, e vazia. E que eu quero voltar a ser aquela garota que costumava se apaixonar por você, todos os dias.

Júlia Naves.