Sinto falta de coisas simples. Abraços, beijos, sorrisos, olhares. Tenho uma necessidade absurda de ter essas coisas na minha vida. Falta um colo, e um ouvido que possa realmente me escutar, e que o olhar se mantivesse no meu enquanto falo euforicamente sobre o quão estou sobrecarregada. Não precisa ser uma pessoa idêntica à mim; aceito diferenças. Na verdade, é exatamente isso que quero. Alguém que aceite as diferenças, e que não vai rir dos meus sonhos e desejos loucos, nem reprimir minhas atitudes descompensadas.
Hoje me desesperei enquanto pensava na falta que sinto de tais coisas. Faltou forças nas pernas, e me deixei escorrer pela parede, até desabar no chão. Percebi que estou sozinha, mais do que nunca. Me afastei, e afastei todos que tentaram se aproximar. Criei uma barreira impenetrável ao meu redor, e me isolei. Sem saber se a culpa era realmente minha, me condenei. Me culpei pela solidão que sinto agora. Mas tive meus motivos para tal atitude, e destes não fui a criadora. Só queria me proteger desses seres que andam por aí cheios de moral e julgamentos, mesmo que eu tenha afastado até aqueles que são como eu.
Ao fim do meu choro pesado, tomei uma conclusão que talvez mude muita coisa. Percebi que não são momentos, ou atitudes que faltam na minha vida. São pessoas. Pessoas que assim como eu, querem alguém de verdade. Pessoas que não virão com vento, e nem cairão do céu. E que se quero elas em minha vida, primeiramente tenho que dar oportunidade para entrarem. E depois, dar à elas uma razão para ficarem.
Júlia Naves.